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Tuesday, January 6, 2009

O dia mais longo de Obama

Posted by Mac² on 4 de Novembro de 2008

Obama The Economist

Imagem roubada indecentemente da melhor capa que o The Economist teve nos últimos tempos.


Não é segredo que esta minha casa é uma casa luso-americana (i.e. vivem cá duas pessoas, uma de nacionalidade portuguesa e outra de nacionalidade americana). Eu, a que não voto para as eleições que correm hoje nos EUA, fui durante muito tempo simpatizante de Hillary Clinton. Simpatizante essencialmente pela força de vontade e enorme capacidade de gestão que a senhora demonstra. E, sim, claro, porque acho que já é tempo da nação mais poderosa do mundo ser liderada por uma mulher. (Neste último caso mais pelo significado do fim do sexismo do que por outras razões: vejam-se os anos de governação quase ultra conservadora de Margaret Thatcher na Grã-Bretanha. Por outro lado, se fico agoniada com o mais leve pensamento de ter Sarah Palin como VP dos EUA, muito mais fico se a imagino como presidente).

De qualquer das formas, a meio das Primárias democráticas a minha opinião mudou e a Hillary deixou de ser a candidata que mais me agradava. Para isso contribuíram de forma significativa as atitudes de ambas as campanhas, em especial a menos positiva de Hillary Clinton. Seja como for, até ao fim das Primárias nunca me não fez grande mossa tê-la a ela, e não Obama, na corrida à Casa Branca. Bem diferente é a minha perspectiva do candidato republicano. Eu não gosto de McCain. Tenho dúvidas sobre o seu real heroísmo no Vietman, acho-o de carácter instável e pouco conhecedor do mundo real (económico ou social). Pior, acho que a sua candidatura preconizou alguns dos momentos mais repreensíveis das eleições americanas (pelas mentiras, pelas omissões, pela atitude)… ao que se juntou a incrível escolha (pela negativa) de Sarah Palin para a vice-presidência. Diria mesmo: McCain a maverick? My ass! Sarah Palin a maverick? You betcha, the worse kind!

O que me traz novamente a Barack Obama.

Não acho que seja um messias e na realidade não sei bem como conduzirá a política (nacional e internacional) americana. Mas… gosto da forma como age. Pela primeira vez em 8 anos podemos ter alguém de facto inteligente a decidir as acções dos EUA.

Mais, temos alguém que já deu provas de que sabe estruturar uma equipa. Acreditávamos nós, há cerca de um ano, que o jovem Senador Obama poderia chegar tão longe? Não. Contudo, fê-lo e muito bem, rodeando-se de uma excelente máquina de venda de política e de imagem. E escolheu Joe Biden para VP, o que demonstra uma enorme dose de bom senso e noção das suas próprias limitações, em especial ao nível internacional.

Gosto de o ouvir. Quando estava nos EUA e segui o seu discurso, em directo, na convenção democrática, tive pela primeira vez pena de não ser americana: para poder votar nele e porque me fez acreditar que efectivamente a mudança é possível.

Gosto da forma como parece respeitar os adversários e as suas ideias.

E, principalmente, gosto da forma como foi educado: num mundo multicultural, em que não existe apenas a dicotomia do bem e do mal, do branco e do preto, do cristão e do muçulmano, mas sim uma variedade de cores, de raízes, de crenças.

Não sei se Barack Obama será um excelente presidente americano. Disso contará a história daqui a uns anos, se hoje for eleito. Todavia sei que tem potencial para tanto. E principalmente tem já no currículo a façanha de ter mudado (um pouco) a imagem dos EUA no mundo; basta agora que os seus concidadãos lhe dêem aval para ir mais longe. Se Obama for eleito, é a própria visão de um país que se transforma: um país que muitos acusam da racista, mas que passará a ser um país em que apenas alguns dos seus cidadãos são racistas. Um país necessariamente mais tolerante do diferente e, muito provavelmente, melhor defensor das liberdades e dos direitos civis. Será o fim de Guantánamo, uma das maiores vergonhas de um país que se auto intitula o arauto da democracia ocidental.

Se Barack Obama for eleito terá uma imensidão de tarefas a cumprir: políticas, é certo, mas essencialmente económicas e sociais. Não terá a vida facilitada pela conjuntura económica actual ou pelo histerismo negativo que vemos em algumas franjas da sociedade norte-americana. Já recuperar o tempo e a imagem perdidos internacionalmente será difícil, sim, mas julgo que menos complicado. (O mundo suspira pela alteração.)

Fico esperançada que Obama traga de facto a mudança. É isso de que tanto se fala: Change and Hope. Mas tenho a certeza que das mentes mais realistas corre ainda o seguinte pesadelo: E se Obama perde? O que acontece à renascente América? O que acontece quando a esperança morre?

PS. E já agora: que o NÃO à Proposição 8 ganhe na Califórnia.

Eu NÃO sou PC mas se fosse…

Posted by Mac² on 20 de Setembro de 2008

Simples.

casamento a sério

Posted by Mac² on 16 de Setembro de 2008

Finalmente, após anos de gaveta, parece que o casamento entre pessoas do mesmo sexo vai ser debatido na Assembleia da República.

Fonte: Público

A minha posição: absolutamente SIM! Como a nossa Constituição defende há já muitos anos no seu artigo 13.º (n.º 2):

Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

E repesco o que já disse noutro post:

Em 2004 Andrew Sullivan (também autor do blog The Daily Dish) escreveu na Time um extraordinário texto sobre o significado da palavra C.

C de Casamento.

Entre eles e elas, entre elas e elas e entre eles e eles.

When people talk about gay marriage, they miss the point. This isn’t about gay marriage. It’s about marriage. It’s about family. It’s about love. It isn’t about religion. It’s about civil marriage licenses. Churches can and should have the right to say no to marriage for gays in their congregations, just as Catholics say no to divorce, but divorce is still a civil option. These family values are not options for a happy and stable life. They are necessities. Putting gay relationships in some other category–civil unions, domestic partnerships, whatever–may alleviate real human needs, but by their very euphemism, by their very separateness, they actually build a wall between gay people and their families. They put back the barrier many of us have spent a lifetime trying to erase.

Sugiro a leitura do resto do texto do Sullivan. Merece a pena.

E não, como o Sullivan acima diz, o significado de C não é igual ao de união civil ou registo de união. E muito menos o é em relação à união de facto. (Para que não acreditem quando por aí dizem que é tudo a mesma coisa e que está tudo bem como está.)

Sumário da keynote: 3G e 199$ (em breve perto de si, em Portugal)

Posted by Mac² on 10 de Junho de 2008

Antes de mais: a keynote de ontem foi chata para xu-xu. Como diria o outro: “acordem-me quando o Steve aparecer outra vez.” Um arrastar de demonstrações variadas das aplicações que podemos esperar para o iPhone. Para chegar ao caroço, à cereja, ao centro das expectativas — o iPhone 2.0 — tivemos que penar c. de hora e meia. (Valeu o canal IRC do Sixhat que serviu para um animado “chat”. Note-se que o Twitter até se aguentou melhor que o costume, mas o IRC cobria qualquer crash do primeiro, pelo que foi a escolha de grande parte dos fãs Apple em Portugal.)

Nos entretantos, houve um pequeno aparte para sobre o 10.6 — códido “Snow Leopard”, “Snowy” para mim. Pouco se sabe sobre ele, e pouco será divulgado nos próximos tempos (a tal claúsula de confidencialidade), mas já anda entre nós, em forma fantasma. Diz-se por aí que ser trata de uma melhoria do 10.5. Na minha opinião, uma melhoria muito importante e necessária, pois o Leopard está a demorar em afirmar-se como um OS estável.

Ao fim da tal hora e meia, depois de quase adormecermos, lá chegaram as novidades:

- O MobileMe (nome pouco conseguido, na minha opinião) substituí o .Mac. Mesmo preço, mais capacidade (20GB) e novas funcionalidades, essencialmente a nível de sincronização entre plataformas Apple e mobilidade. Um bom passo da Apple… esperam-se mais.

- O 3G é finalmente uma realidade. Do que experimentei no actual iPhone-não-3G (durante a última semana andava um cá por casa), a ligação à web é penosamente lenta e o melhor é efectivamente feito com a ligação wireless. Em relação ao iPod Touch, o actual iPhone vale pela câmara fotográfica (de boa qualidade), som externo e algumas das capacidades associadas a um telemóvel (SMS…), contudo a ligação à net via EDGE não é grande coisa. Ou seja, o 3G é absolutamente essencial, como aliás já se dizia.

- Mas o melhor é, sem dúvida, a pronunciada descida de preço: 199$ para o 8GB, 299$ para o 16GB. Isto a partir de 11 de Julho, inclusive em Portugal. Infelizmente, ainda não temos disponíveis os planos de preço das operadoras portuguesas (podem ver plano inglês no Spinning Beachball). Veremos o que nos espera dentro de algumas semanas: preços com e sem contrato, e que operadoras avançam realmente com a venda do iPhone.

Interessante é ver algumas reacções de utilizadores há muito fiéis a outros aparelhos e plataformas. Uma amiga, chefe financeira de uma firma nos EUA e furiosa utilizadora do Blackberry, mandou-me um email hoje, com o seguinte assunto: I’m in love. Nele, apenas um link: este. Calculo que muitos pensarão o mesmo.

Por mim, estou entusiasmada com o novo firmware (a lançar também em Julho). E sim, disposta a pagar 10$ (ou o que for em euros) para o ter no meu iPod Touch (grátis para o iPhone, mas não para o iPod Touch). Quanto ao iPhone… logo verei se merece a pena.

NYT e os fanáticos da Apple

Posted by Mac² on 22 de Março de 2008

Aqui está uma discussão regular: Apple fanboys versus Apple haters.

O New York Times têm um pequeno artigo escrito pelo Dan Mitchell sobre o primeiro fenómeno: The Thin Skin of Apple Fans

(…) many Apple fans “care little for honest opinion,” Mr. Manjoo writes. “They want to pick up the paper and see in it a reflection of their own nearly religious zeal for the thing they love. They don’t want a review. They want a hagiography.”

Concordo com alguns aspectos do que é por lá dito (já escrevi, aliás, várias vezes sobre o assunto). Andando pelos fóruns Apple (e principalmente Mac) já li muitos “Apple fanboys”, mas é um facto que também já li muitos “Apple haters”.

(Nota ao que é dito no artigo: Sim, também acho que o iPhone é demasiado caro e acho o esquema dos dois anos presos a um fornecedor a pagar mais de 30 euros por mês uma barbaridade. Provavelmente não comprarei o iPhone por causa disso mesmo. Já o iPod Touch — irmão esquecido, como imensa potencialidade — me parece bem mais razoável, mas espero a queda de preços normais no mercado.)

Infelizmente, o artigo do NYT só toca na ponta do iceberg. Faltam os outros: os “haters” são apenas mencionados tangencialmente e os fãs normais e saudáveis são totalmente ignorados (sim, sim… este são onde me incluo). O fenómeno Apple é uma macieira com mais ramos do que é dado a entender no artigo.

Dan Mitchel?!… Esse “Apple hater” afamado! (A ler com ironia, p.f.)

Canterbury’s Law

Posted by Mac² on 19 de Março de 2008

Para quem, como eu, aprecia bons filmes ou séries de âmbito legal, fica aqui uma dica: Canterbury’s Law.

A personagem principal é uma advogada, Elizabeth Canterbury, que luta pelos seus clientes de forma altamente destemida e por vezes atravessando os limites do que é profissionalmente ético (não confundir com amoral, como muitos fazem). A vida pessoal dela é conturbada, para não dizer infeliz… A razão é simples: o rapto do filho há 3 anos atrás. Talvez por isso ela seja a advogada que é — luta como se não tivesse nada a perder.

Dos dois episódios que vi posso dizer que foram excelentes. Para isso ajuda ter um elenco de actores muito razoáveis, encabeçados por uma actriz muitíssimo boa: Julianna Margulies. Lembram-se dela no ER?

Definitivamente a não perder. (Na Fox Americana à 2ª feira.)

(Infelizmente, constou-me que até à greve dos escritores nos EUA apenas 5 episódios foram produzidos.)

YouTube Preview Image

A minha guerra privada de browsers

Posted by Mac² on

Apesar de gostar muito de algumas funções do OmniWeb (nomeadamente as tabs em barra lateral e o excelente controlo na visualização de páginas e “pop-ups”) e de algumas das capacidades Web 2.0 do Flock, a minha utilização de browsers restringe-se actualmente a apenas dois: o Safari e o Firefox.

Firefox: um mundo de oportunidades

O meu gosto pelo Firefox é já antigo e era o meu browser principal (e secundário) quando ainda usava PCs. Aliás, no computador geral do meu gabinete na Universidade, que corre o Windows XP e tem muito pouco uso (pouco uso meu, porque o meu colega usa-o regularmente), é sempre o browser utilizado.

Infelizmente sempre achei que o Firefox 2 se arrastava penosamente no meu Mac e que o “rendering” era de menor qualidade; por isso, sempre que tentava reutilizar o Firefox acabava por desistir ao fim do dia. Mas tinha pena, em especial porque permite a integração de inúmeras extensões que melhoram (e muito) as suas capacidades.

O primeiro beta do Firefox 3 que usei (o beta 2) foi uma agradável supresa: era mais rápido e permitia visualizações das páginas próximas das do Safari (essencialmente melhor “rendering”). Melhorou ainda mais com as versões seguintes. Actualmente o beta 4 parece-me muito estável e rápido e, por isso mesmo, decidi torná-lo o meu browser principal durante uma ou duas semanas para ver como se comporta.

Safari: integração (quase) perfeita

Quanto ao Safari: não há dúvida que é rápido e que se integra plenamente no Mac (pudera). Contudo, não noto diferenças de rapidez entre o Safari 3.1. (que instalei ontem, uma vez que os componentes extra que utilizo — o 1Password e o Saft — já têm versões compatíveis) e o Firefox 3 beta 4. E gosto do browser oficial da Apple, apesar de achar que está demasiado despido de capacidades: não podemos controlar a forma como visionamos as diversas páginas, não controlamos os pop-ups, etc. É por isso, aliás, que utilizo o Saft. Juntemos ao Safari o Saft (e já agora o Inquisitor) e o Safari ficava um browser excelente.

Até porque ainda prefiro a forma como o Safari “vê” as páginas online: as letras são mais nítidas e, muitas vezes, os cantos das caixas são menos angulosos.

Por isso…

O meu coração balança entre o Safari e o Firefox… como provavelmente vai balançar a utilização que vou dar aos dois. O Firefox abre um mundo de extensões e oportunidades, o Safari ainda ganha no “rendering” e nos toques afinados na visualização de páginas.

Mhhh. Veio-me agora à cabeça uma música pimba do Marco Paulo. Porque será?