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Tuesday, January 6, 2009

Apologia do shareware (contra a borla escarrapachada na alembradura)

Posted by Mac² on 4 de Março de 2008

Porquê fazer a apologia do shareware?

Por duas razões. Primeiro porque abrindo a minha pasta de aplicações é notório que a grande maioria pertence a esta categoria. Segundo porque, comparativamente, muito mais gente defende o freeware, seja de forma organizada (em texto construído para o efeito), seja nos comentários soltos que vou lendo quando ando por blogues, fóruns e outras páginas. Se os primeiros casos são muitas vezes de leitura agradável, nos segundos, infelizmente bem mais comuns, é dita muita barbaridade.

Mas antes de passar ao sumo do texto, convêm deixar aqui duas definições e um preâmbulo.

Freeware: software cuja licença de utilização é oferecida gratuitamente pelo autor. Normalmente, apesar desta gratuidade, o autor mantêm o copyright; ou seja, o software não pode ser alterado sem a sua expressa autorização. (Não confundir com Open Source cujo código original do software é fornecido sem pagamento e que pode ser redistribuído com ou sem modificações.)

Shareware: software que normalmente é distribuído de forma gratuita, na maioria dos casos com validade temporária, e cujo autor pede o pagamento de algum dinheiro se esse uso for continuado.

O preâmbulo (à laia de “disclamer”): da minha experiência há muito bom freeware por aí; basta pensar em aplicações como o Cyberduck, o Skim, o Bean, o Quicksilver, o Butler, etc. Algum deste software tornou-se indispensáveis para mim e considero-o melhor que qualquer shareware ou aplicações comerciais disponíveis no mercado para o mesmo efeito.

O sumo da apologia

Contudo, na maioria dos casos, existindo versões freeware e shareware dedicadas a uma mesma tarefa, *quase sempre* o shareware é melhor. Porquê? Bom, é uma questão de sobrevivência e lei do mercado: quem é retribuído monetariamente pelo que faz tem obrigação de manter um produto mais actualizado, normalmente com mais capacidades.

Por exemplo, se o Bean deixar de ser desenvolvido eu terei pena, claro, mas não posso exigir ao autor o mesmo nível de assistência que exijo de um software pelo qual paguei. O grau de exigência para com o freeware não é o mesmo que o do shareware. E isso *normalmente* reflecte-se no produto final.

Paralelamente, é extremamente duvidoso que programadores como o Gus Mueller, o Daniel Jalkut, o pessoal da Panic ou do OmniGroup (etc.) fizessem os excelentes programas que fazem sem serem remunerados por isso. É esse o seu trabalho e o seu emprego, tal como o meu é de professora e investigadora.

Daí que me irrite solenemente quando tanta gente compara dois produtos com objectivos semelhantes e, invariavelmente, diz que o freeware é o melhor sem qualquer avaliação crítica das capacidades técnicas da aplicação. Sim, sim — é o melhor em termos de preço, que é zero. Mas em termos de capacidades, actualizações, suporte e estabilidade, o freeware e o shareware raramente se equiparam, com saldo positivo para o segundo.

Pior: muitos fazem da defesa do freeware um cavalo de batalha. Não se pode usar um Mac Pilot porque o Onyx faz muitas das mesmas coisas de borla. Não se pode usar um LaunchBar porque o QuickSilver é mais versátil e… é de borla. Não se pode usar um Baseline ou um WhatSize porque o produto X é de borla. (Etc, etc…)

Pois. Mas eu ainda continuo a achar que o Onyx de quando em quando descamba e não faz o que se lhe pede; para lá disso não se sobrepõe ao Mac Pilot que está vacacionado para tarefas diferentes (dou este exemplo porque li uma comparação dessas ontem). O Quicksilver — na minha experiência — é mais instável e demorado que o LaunchBar. E o Baseline permite-me fazer a evolução do uso do meu disco ao longo do tempo e apagar ficheiros ou pastas directamente a partir da aplicação.

Para mim, e já o disse antes, noutros posts, os programadores indie em Mac são do melhor que há e, de entre eles sobressaem os que distribuem as suas aplicações em formato shareware. Falo de um Scrivener, um MarsEdit, um Default Folder X, um Hazel, um TypeIt4Me, um Yep, um SuperDuper!, um OmniOutliner, um DEVONthink, um Together, um Speed Download, um PDFClerk… Prefiro-os a qualquer produto comercial. Porquê? Porque lhes mando um email e tenho resposta em menos de 24 horas. Porque tenho um bug e me tentam resolver o problema o mais depressa possível, ao ponto de me mandarem uma versão personalizada.

Nem tudo é perfeito, claro. Há alguns programadores que abandonam os seus sharewares ao deus dará. (Delicious Generation, anyone?) Outros põem um tempo de avaliação ridículo. Outros ainda não dão suporte técnico de jeito. Há muito shareware que não vale um pepino podre, bem como há shareware cujo preço é muito acima da sua real qualidade e valia. Aliás, há já algum tempo que antes de comprar uma aplicação me certifico que o suporte existe e é bom. O meu tempo de ingenuidade já passou: prefiro um programador com boa fama e de qualidade comprovada a um produto com beleza exterior. E, se possível, prefiro juntar os dois.

Isto não quer dizer que não goste de freeware (ou, num sentido diferente, das aplicações desenvolvidas em Open Source). E que não lhe reconheça qualidades; por vezes muita. Mas para mim a borla não é o elemento mais importante, nem sequer é essencial. Talvez porque o posso fazer, possivelmente mais que muita gente.

Conclusão da apologia

Tantas palavras para dizer que grátis não é sinónimo de qualidade. Tal como o oneroso também não é. Por isso prefiro avaliações inteligentes que vão além de: “Não vou comprar isso [que não testei e não conheço, mas cujas capacidades li na diagonal e cujo preço me ficou escarrapachado na alembradura] porque há outra aplicação que faz o mesmo e é de borla.” Ao menos digam: “Não posso/quero comprar pois a versão freeware que utilizo faz o que necessito e bem.”

No fim do dia, o que eu quero é qualidade e, quando utilizo o meu computador, a grande maioria do que eu considero qualidade é shareware. E o bom freeware? Isso, meus caros, é a surpresa que adoça ainda mais o bolo. Tão doce que por vezes quero premiar o esforço do programador.

Adenda: o donationware

E já agora aproveito para perguntar: quantos de vós já doaram dinheiro a projectos freeware (vulgo donationware)? Aqui ficam dois que merecem a pena o contributo: o Cyberduck e o iStats. E se o Growl alguma vez for actualizado para Leopard também terá o meu contributo… até lá reservo o meu dinheiro para outros programas de qualidade.

  • ruimoura said,

    Bem, apesar de discordar no que toca à qualidade do Coda (são gostos), tenho que referir que desde que mudei para Mac já comprei mais de não sei quantos programitas (o Macheist ajudou, mas não só) e também concordo que mais vale um bom programa shareware que seja desenvlvido e com bom suporte do que um freeware de há 3 anos, sem qualquer tipo de suporte. Há freeware do bom , e com suporte, mas é raro.

    A nível de donationware foi coisa que nunca fiz em software propriamente dito, mas já doei 10 dolares para o Arch Linux :)

  • mac2 said,

    Rui,

    Já dizia o meu avô: gostos não se discutem, lamentam-se! :)
    Quanto ao Coda ainda não encontrei uma aplicação que me permita fazer o html + preview com tanta rapidez. (Aconselhas alguma?) No CSS prefiro o CSSedit.

  • ruimoura said,

    Uso o cssedit para, bem, o css, o resto vai com o textmate. Não é dedicado à coisa nem tem essas features dedicacas, como previews, mas vá … Não gostei do Coda o.0′

  • mac2 said,

    Para o básico gosto do Smultron. Mas ando à caça de um bom shareware html com preview.

  • phoenux said,

    Bem Maria, eu não sou o utilizador de mac e confesso que não conheço este ambiente, nem as aplicações com que costumas trabalhar. No entanto em linhas gerais sou obrigado a discordar da tua opinião (embora isto não signifique que não a respeite). Apesar de tu falares mais de freeware do que opensource, eu prefiro comparar opensource com shareware, porque pessoal e profissionalmente utilizo mais aplicações opensource do que freeware.

    Pela minha experiência, opensource não significa necessariamente pior qualidade do que software shareware, e tentarei explicar nas próximas linhas porquê dando-te um exemplo real. Penso que o motivo pelo qual muitos dos utilizadores preferem opensource a shareware prende-se com a “regra”, se tens duas aplicações, com funcionalidades idênticas, uma opensource e outra shareware, deves sempre ser escolher a opensource porque simplesmente não perdes nada com isso (o que não acontece com o shareware).

    Dando-te um exemplo muito concreto, na minha instituição comprámos à um ano um software shareware que nos custou 125000€. Na altura tinhamos duas propostas em cima da mesa, uma opensource e outra shareware, onde escolhemos a última porque apesar de termos de pagar, era considerado um investimento mais seguro, porque tinha suporte comercial, era instalada e configurada por uma empresa de renome, e fazia aquilo que pretendíamos. A solução opensource tinha mais e melhores funcionalidades do que a homónima, mas não foi escolhida porque era considerado um “risco”, pois o suporte não era empresarial mas sim dependente de uma comunidade que não era conhecida (para a comissão que fez a escolha).

    3 meses após a escolha da solução comercial aquando a instalação da mesma a equipa responsável pelo acompanhamento da implementação da mesma já sentia as consequências da escolha: solução extremamente complexa, altamente instável, totalmente fechada. Quando a solução foi colocada em produção com milhares de transacções diárias, simplesmente crashou, sendo necessária uma intervenção manual no servidor (para reiniciar os serviços) de hora a hora, para que fosse possível aos utilizadores acederem à plataforma.

    Poderia pensar-se:
    - solução sub-dimensionada… NÃO, tínhamos 4 servidores de elevada performance dedicados para suportar o mesmo número de utilizadores que anteriormente eram suportados pela solução opensource instalada num PC normal;
    - solução mal instalada… não faz sentido porque foi instalada por uma equipa de especialistas (da empresa de renome) que já tinha (teoricamente) feito dezenas de instalações sem nunca (aparentemente) terem enfrentado este tipo problemas;
    - problemas da infraestrutura da instituição: não faz sentido porque o problema era aplicacional. Mais nenhum das dezenas de servidores que temos apresentava problemas deste tipo, com o mesmo número de acessos. Além disso tivemos uma equipa de especialistas a verificar cada ponto da rede para tentar descobrir a causa do problema. Detectou-se que o problema era aplicacional (embora não se soubesse onde).

    O problema ficou a cargo da empresa que desenvolveu a aplicação, uma grande empresa norte americana, que sempre disse que o problema não era da aplicação deles, mesmo depois de termos apresentado os logs onde estava bem explícito que o problema era da aplicação deles. A muito custo lá conseguimos que analisassem o problema. Desde que foi detectado o problema até este ter sido “resolvido” passaram dois meses. Foram dois meses onde em períodos de maior acesso tínhamos que de hora a hora ir reiniciar o serviço manualmente. Quanto à solução, disseram-nos que tinha sido um problema de configuração, quando nós verificamos, com os testes que efectuámos que a solução deles passa apenas e só por reiniciar o serviço quando este falha envia o primeiro erro para o log (ou seja, fazer automaticamente aquilo que anteriormente fazíamos manualmente). Ainda estamos a aguardar a documentação relativamente a este e outros erros.

    Enquanto estes problemas foram ocorrendo, fomos unilateralmente e em segredo instalando a solução opensource. Demorou 5 minutos a instalar (2 dias se contarmos com a instalação de configuração do sistema operativo e dos serviços necessários) e a ficar pronta para receber os milhares de utilizadores. Na utilização da mesma, detectámos um bug que demorámos 5 minutos a resolver directamente no código, embora tenhamos verificado que o problema já tinha sido resolvido na última versão que já estava disponível (demoraram menos de 24 horas a detectar o problema e resolvê-lo).

    Infelizmente e apesar das reconhecidas vantagens da solução opensource, fomos forçados a manter a versão comercial (embora tenhamos mantido internamente a solução opensource), porque tinha sido feito um investimento muito grande que não podia ser recuperado (questões de financiamento às quais somos alheios).

    Este é apenas um exemplo. Infelizmente na nossa instituição temos muitos outros.

    É por isto que eu tenho uma opinião contrária à tua. Eu acho que uma solução deve ser escolhida caso a caso, independentemente do tipo de solução. Eu utilizo software comercial mas apenas quando não tenho uma alternativa opensource viável. Porquê? Talvez porque seja programador e porque saiba que se tiver um problema com um dado software. que o posso resolver sem ter de recorrer a ninguém, podendo com isso beneficiar toda comunidade que utiliza esse software. Eu acredito e apoio este espírito colaborativo que rodeia o software opensource e com o qual me identifico.

    É importante dizer também que o software shareware muitas vezes não é apenas limitado ao nível de tempo, mas também do ponto de vista da funcionalidade propriamente ditas.

  • mac2 said,

    @phoenux

    Mas eu concordo contigo! Acho é que o meu shareware não corresponde ao teu. Segundo a definição que dei shareware não é commercialware, e parece-me que falas essencialmente deste último. Aliás, nem me parece que à escala que apresentas exista shareware possível.

    Eu gosto bastante da filosofia do Open Source, cujo código pode, depois, ser aplicado no desenvolvimento de produtos freeware e shareware.

    E não tenho dúvidas em dizer que se eu tiver dois produtos equivalentes nas suas competências e objectivos, um shareware e outro freeware, escolho o primeiro. Apenas se este não se comportar à altura das minhas expectativas opto pelo shareware.

    Agora… por experiência própria sei que existe uma maior tendência para o abandono do desenvolvimento de (bom) freeware (Open Source é outra coisa, onde existe de tudo) do que de (bom) Shareware. Do mesmo modo que, mais uma vez na minha experiência, me tenho sentido muito bem apoiada pelos programadores de shareware, que actualizam mais depressa os seus produtos e respondem melhor aos pedidos de suporte.

    Na maioria dos casos em que testei freeware as aplicações eram muito instáveis e os programadores menos atentos aos pedidos de actualizações em geral.

    No entanto, é um facto que existem produtos excelentes freeware (em especial em Open Source). Penso, por exemplo, que o Skim é o melhor anotador de PDFs actualmente no mercado e que o Bean é o melhor peso-leve dos editores de texto. Em ambos os casos tratam-se de produtos freeware, em Open Source, sem produtos shareware à altura e o suporte é 5 estrelas.

    Concordo contigo que “uma solução deve ser escolhida caso a caso”. No meu caso, na grande maioria das vezes, a minha escolha recai em shareware porque os produtos melhor conseguido têm este tipo de licença.

  • Daniel said,

    Quanto à pergunta sobre o donationware, já contribui com um donativo para o Phil do Journler, mas estou ansioso por ver o que a transição de donationware para shareware reserva a este programa…

    Agora, sem querer iniciar uma discussão “religiosa” ;) o Quicksilver para aquilo que pretendo de um programa deste tipo, e depois de todo o tempo que gastei a “costumizá-lo”, mesmo contando com a instabilidade, não tem rival… ainda. E aqui está um exemplo de um freeware que se podia transformar em shareware que o programador podia pedir o que quisesse (pronto, estou a exagerar só um pouquinho) que teria, mesmo contando com pirataria, um bom pé de meia para o futuro…

    Quanto à discussão freeware/shareware, penso que por vezes o utilizador opta pelo shareware pela maior exposição que este tipo de programas tem, e posteriormente nem aproveita todas as características destes, enquanto que porventura existiriam opções freeware que preencheriam todas as suas necessidades, mas nem sequer as conhece… Quanto ao pouco suporte nas aplicações freeware, isto depende, o Quicksilver enquanto tinha os fóruns abertos na Blacktree, tinha um apoio técnico fabuloso, até pelos próprios utilizadores mais avançados, o mesmo se passa ainda com o Journler.

    Para finalizar, embora o ser gratuito não seja sinónimo de qualidade, deve com certeza pesar na escolha do programa a instalar, pois o valor acrescentado de uma possível versão shareware deste mesmo programa, a nível de melhor apoio técnico, mais polidez, mais “features”, pode não compensar o custo final… Ao fim e ao cabo cada um deve decidir caso a caso e testar as versões demo antes de tomar uma decisão que é para isso precisamente que elas existem.

  • mac2 said,

    @Daniel –

    A questão do QS é interessante pois gera pólos opostos, pois poucos utilizadores do QS percebem porque se escolhe outro programa em detrimento deste.

    Durante quase dois anos fui utilizadora do QS e gostava. Acho um produto muito bem conseguido e extremamente versátil. Apenas peca por ser mais complicado de gerir do que eu gosto e ter momentos de instabilidade (o próprio autor o admitiu recentemente).

    Resolvi experimentar o LB porque o Jason Snell da MacWorld e o Adam Engst da TidBits recomendavam o LB como seu “launcher” favorito. Foi usar e ficar fã: menos versátil mas mais fluído, mais fácil, mais estável e mais rápido. Para lá disso o desenvolvimento do QS tinha caído já no marasmo que lhe conhecemos actualmente (infelizmente o Open Sourcing não parece ter alterado nada a situação e ouvi uns boatos que o autor original se prepara para lançar um produto concorrente, em versão shareware). Foi, portanto, fácil mudar, em especial tendo em conta que apanhei o produto em promoção a 10 dólares. Uma pechincha para o tempo que me salva:

    launcher
    calculadora
    mover/copiar ficheiros
    scripts
    browser
    etc

    E domino todas as funções facilmente.

    Mais, desde que o utilizo acho que me crashou duas vezes, o que é notável.

    Tenho pena de nunca ter adaptado o Journler às minhas necessidades, pois das vv vezes que o testei gostei dele. Apenas nunca o utilizei verdadeiramente e acabei por o apagar do meu computador.

    Eu concordo que a gratuidade deve pesar nas nossas opções. O que combato é a equação simplista gratuito = melhor.

    E acho também que se um software freeware se adapta bem às nossas necessidades devemos optar por ele. Fiz isso algumas vezes. Contudo, mantenho o que disse: o shareware é para mim o que de melhor se faz em Mac. Isto apesar de ser fã da open source, gostar de freeware e até de algum commercialware (que todavia evito, em especial o das gds corporações).

  • David Rodrigues said,

    Só um comentário em relação ao teu argumento

    Por exemplo, se o Bean deixar de ser desenvolvido eu terei pena, claro, mas não posso exigir ao autor o mesmo nível de assistência que exijo de um software pelo qual paguei. O grau de exigência para com o freeware não é o mesmo que o do shareware. E isso *normalmente* reflecte-se no produto final.

    O Bean é Open Source versão GPL 3 pelo que o autor o abandonar tu ou eu ou alguém que saiba programar pode pegar no Bean e continuar a desenvolvê-lo. Com o software shareware se o developer tiver o azar de ser atropelado quando for a atravessar uma estrada… o programa acabou e ficas provavelmente presa a algo proprietário.

    Aliás este é um problema que cada vez mais se coloca ao nível da preservação da memória em sistemas de arquivo digital onde trabalho. Como arquivar por exemplo o trabalho “nascido digitalmente” de um arquitecto, que está em formatos proprietários quando o fabricante do software já não dá suporte para o formato. Acabamos por ficar com ficheiros com 7 ou 8 anos e que é impossível abrir, que é impossível recuperar e que para efeitos práticos são apenas “um monte de lixo”.

    Fosse o código fonte conhecido e podia-se agora reimplementar o software para trabalhar abrir esses ficheiros e dessa forma conseguir preservar a memória.

  • mac2 said,

    Sim, tens razão. No caso do Bean, nessa afirmação eu foquei o freeware e não o open source, porque me esqueci do segundo.

    O open source é, efectivamente, excelente nisso. Mas, julgo não estar enganada quando digo que os formatos open source podem ser utilizados tanto em aplicações freeware e shareware.

    Por exemplo, o Together onde organizo webarchives, rtfs, pdfs, etc é shareware mas não utiliza formatos fechados do próprio programa. O que nós pagamos é excelente capacidade de organização. (Já com outros não é assim, claro.)

    O que eu quis focar neste post não são os males do freeware, e muito menos do open source. O que eu quis fazer foi a defesa do excelente shareware que ainda por aí e e questionar a comum equação do gratuito como *obrigatoriamente* melhor.

  • João Carvalhinho said,

    Eu concordo com todos… No que toca a satisfação de necessidades pessoais, cada um calça a meia que melhor lhe serve, e com um pouco de inteligencia, da forma mais barata possível.

    O que difere aqui são as necessidades de cada um… Vou dar o meu exemplo pessoal…

    Fui utilizador do quicksilver desde à muito cedo… era o meu laucher de eleição. Adorava parametrizar aquilo e “aprender os truques” que aquilo possibilitava… só que 99% das vezes para mim… era um app laucher… desde o Leopard que o spotlight faz isso de forma mais ou menos decente… não é insta-quick, mas chega lá… e não é por mais um segundo que o gatito vai às filhós. e é menos uma coisa a lançar no arranque e a indexar ficheiros.
    e no entanto o quick silver é gratuito… :)
    No cenário descrito pelo phoenux, não sei como se comportaria a solução open source nos ditos picos de carga (já que me parece que apenas a usam internamente e num núcleo fechado), mas tem toda a razão… não é à toa que milhares de Moodles são instalados diariamente suportados em sistemas OSource, e em normas abertas (SCORM), assim como os foruns que estamos habituados a ver por essa net fora (Techzonept é um exemplo).

    Sobre o ajudar os developers de freeware, não precisa ser necessariamente com dinheiro. Desde o início do Ubuntu que participo na tradução de tudo o que me vejo capaz de traduzir.
    O cyberduck é um exemplo disso, apesar de usar o transmit, no Inkscape também dei uma ajuda forte, e em mais uma série de produtos até comerciais (Expression Engine - por acabar)

    Mais… as aplicações WEB suportadas em PHP são paradigmáticas… uma vez que o código está obrigatoriamente aberto a todo e qualquer “hack”… e no entanto algumas são pagas :) e tal não é autorizado.

    Boa discussão Maria… como sempre.

  • mac2 said,

    Concordo que há vv maneiras de ajudar os developers de freeware. Infelizmente o meu tempo para tratar, por exemplo, de localizações em pt é reduzido. Prefiro o dinheiro, porque eles o pedem e porque eles merecem.

    Ainda bem que mencionas o Inkscape, que eu gostaria de experimentar. Tenho que o fazer. Recentemente adquiri a preço da chuva o Pixelmator do qual, confesso, não gosto nada do UI. Por outro lado tentei o Acorn, que de início não me tinha agradado, mas que agora me parece muito sólido e intuitivo.

    Já o DrawIt tem demasiados bugs para um uso constante. (Versão shareware e freeware.)

    Enfim… muita coisa para testar antes de optar. Como devemos fazer, se tivermos tempo e vagar para tanto. :)
    Também tenho estado a gostar da discussão. Mais longa do que eu esperava, admito.

  • João Carvalhinho said,

    Não colocaria o Inkscape na área dos image editors… não é bem um substituto desses programas que indicaste, mas sim algo vocacionado mais para o desenho vectorial. Este é mais um Illustrator substitute… e não um photoshop light :) Editore de imagem free é o GIMP.

    Mas se não gostaste da UI do pixelmator, estas duas opções chegam-nos por intermédio do X11 e GTK que não é das coisas mais “bunitas”… Muito linux way pouco eye candy

    Tens aqui uma review feita pelo Victor da Lojamac…

  • mac2 said,

    Isso dos eye candy tem muito que se lhe diga. Eu gosto eye candy q.b. Por exemplo acho o Pixelmator horrível no seu candy-candy total.

    Na imagem vectorial ando a usar o Intaglio com o qual me dou muito bem. Muito melhor que o VectorDesigner que ainda está muito verdinho apesar de mais eye candy.

    Tenho que experimentar o GIMP tb.

  • phoenux said,

    @João Carvalhinho: “(…) não sei como se comportaria a solução open source nos ditos picos de carga (já que me parece que apenas a usam internamente e num núcleo fechado) (…)”… Portar-se-ia lindamente, mesmo porque esta solução já esteve a satisfazer o mesmo número de “clientes”, com uma plataforma tecnológica bastante inferior. Neste momento o “internamente” na realidade é o público em geral, só que um público diferente do que utiliza a plataforma comercial. Basicamente para o nosso trabalho utilizamos a solução opensource, embora continuemos a dar suporte aos utilizadores que são obrigados a utilizar a solução comercial.

    @mac2: sim, de facto eu alarguei um pouco o âmbito do teu post, abordando extremos: por um lado comercialware, pago a preço de ouro e muito utilizado em ambientes empresariais; no extremo oposto opensource, utilizado um pouco por todos. O shareware e o freeware de que falavas situam-se entre estes dois extremos, numa zona cinzenta onde o software comercial tem alguns argumentos bastante fortes. No entanto, e apesar de eu ser um pouco radical e preferir o opensource ao freeware, reconheço que apesar de existirem excelentes aplicações shareware, eu continuo a preferir as gratuitas. Porquê? Bem as razões são essencialmente monetárias, mas também existem motivos sociais. Começando pelas primeiras, eu acredito que para mim (e para a minha empresa) é mais vantajoso eu arranjar um software gratuito para executar uma determinada operação ou procedimento do que ter de comprar (ou “arranjar” ilegalmente) um software. Sim, isto é óbvio, mas mesmo assim penso que é importante explicar os meus motivos, dando um exemplo.

    Vamos supor que eu preciso de um software para o mais rapidamente possível editar uma imagem ISO (o objectivo é adicionar ficheiros, um boot loader, etc). Entretanto descobri um software shareware para Windows que custa 50$ para fazer isto. Seguindo o workflow da minha instituição, eu tenho de descobrir se existe representação da empresa em Portugal, se existe mais do que um representante, qual é que tem os melhores preços, fazer um orçamente, preparar o pedido, entregá-lo a apreciação, ser autorizado, ser comprado o software pelo departamento de compras, ser entregue o software e as respectivas licenças, ser inventariado, ser entregue na minha unidade, para ser entregue a mim. A partir deste momento eu posso instalar o software, legalmente e fazer aquilo que eu pretendia fazer à cerca de um ou dois meses atrás. Com este processo todo, com o número de intervenientes pelo meio, aquele software de 50$ se calhar passou a custar à minha instituição (e a todos nós - sim porque a minha instituição é pública) cerca de 250€. Sim, eu sei que o problema neste caso não está no custo do software propriamente dito mas no processo burocrático envolvente. De qualquer modo tem sempre de existir um processo burocrático (mais ou menos extenso), mas se o software fosse freeware, este processo burocrático jamais seria desencadeado. Supondo que não existiam alternativas freeware, a alternativa mais viável (se eu não estivesse numa empresa) seria recorrer à pirataria, onde em 5 minutos e sem muito trabalho eu conseguiria esse mesmo software totalmente funcional e sem o menor esforço financeiro da minha instituição, e em minutos teria a tarefa concluída. Os 250€ que pouparia poderiam ser investidos na aquisição de outros recursos se calhar com muito mais interesse global por parte da minha instituição. No entanto isto seria muito injusto para o programador do software, porque dedicou tempo e dinheiro a desenvolver essa aplicação, mas seria muito melhor para todos os restantes intervenientes neste processo.

    Este é apenas um exemplo (fictício) mas que ilustra bem a realidade que se vive em muitas empresas. Este é um dos principais motivos pelo qual eu tento utilizar, sempre que possível, software opensource ou freeware em prole de software shareware. Aliás, o exemplo que dei era facilmente exequível recorrendo a alguns comandos no GNU/Linux, onde seríamos todos beneficiados (excepto o programador da aplicação, mas que também não sairia prejudicado).

    Quando à dois anos mudei para GNU/Linux, isto foi uma das coisas que mais me agradou no sistema: não era “obrigado” a fazer pirataria. Aliás fala-se que o GNU/Linux é (praticamente) imune a vírus; muitos dizem que é por ser um sistema bastante seguro, outros porque não existe interesse em prejudicar quem utiliza este sistema, e ainda há outros que dizem que é por não serem tantos utilizadores como no Windows… Se calhar têm todos razão, mas eu creio que existe outro motivo: é que no Linux, não têm de andar por páginas com códigos maliciosos à procura daquele “crack” ou daquele “serial” para uma aplicação que estamos mesmo a precisar, assistindo a uma perigosa luta, com desfecho incerto entre os nossos sistemas de protecção e os códigos maliciosos desses sites.

    É importante dizer contudo, que eu também sou utilizador de (muito pouco - felizmente) software shareware, nomeadamente o Adobe Flash e o Adobe Flex Builder (únicos motivos pelos quais ainda utilizo Windows, em ambientes virtualizados). Eu acho que existe sempre mercado para todos os tipos de software, desde que tenham reconhecidas vantagens. Agora não me peçam para comprar um Winzip quando temos um IZarc ou um 7zip que funcionam muito bem…

    Desculpa o testamento que se calhar nem é aplicável ao universo Mac que desconheço.

    A discussão vai de facto longa, resultado de teres tocado num tema “quente”, mas sem dúvida interessante.

    Até à próxima.

  • mac2 said,

    @phoenux –

    Compreendo o que dizes e nesse caso eu também tentaria procurar uma solução open source, mas o shareware que eu conheço (e compro) tem uma dimensão totalmente diversa. Não o considero sequer próximo do commercialware.

    Aliás, não consideraria o Adobe Flash ou Flex shareware; são puro commercialware feito, ainda por cima, por uma mega corporação. Tento evitá-los, se puder.

    Curiosamente, até com grande parte dos produtos Apple eu me mostro renitente, por serem — exactamente — commercialware. A título de exemplo: gosto do Keynote e do iPhoto, mas os restantes elementos do iLife ou do iWork são me mais ou menos indiferentes. Prefiro um Mellel ou um Nisus Writer ao Pages. (Prefiro também um Bean [open source] ao TextEdit.)

    E alguém me tira o Scrivener, o MarsEdit, o Together, o Default Folder X, etc (tudo shareware) e eu fico realmente infeliz.

  • Joana Margarida said,

    Cara autora,

    as suas “definições” no inicio do artigo estão imprecisas e até incorrectas.
    Open Source não é um tipo de licensiamento.
    Penso que poderia investigar um pouco, e não é difícil, podento tentar na Wikipedia por exemplo, sobre formas de licensiamento de software.

    Como é algo que notoriamente nos seus artigos não domina (o ramo do software), tente enveredar por uma linguagem mais concisa e sempre na óptica de utilizadora comum. Tentar entrar em detalhes, ou pior ainda tentando explicar ou definir conceitos mais técnicos é um caminho que pode enganar as suas leitoras. Noto que faz um esforço por tentar aprofundar, mas depois justifica opções baseadas em, sejamos francos, eye-candy.

    Uso MacOS desde o Panther e nessa altura o “nível” dos utilizadores Mac era excepcional. Agora que a moda pegou há uns anos, toda a gente acha que é diferente ou especial por ter um Mac. E a comunidade excepcional e técnica de outrora passa a ser vista com um nível médio consideravelmente mais baixo. Em desabafo, penso que nada há a fazer quanto a isto. Modas são modas e desde que os dólares entrem em Cupertino, os shareholders ficam contentes.

    Curiosamente a cúpula da Apple é de gente extremamente simples e apaixonada. Estive em Cupertino duas vezes por a minha instituição usar software especializado sobre Tiger e acho que a comunidade portuguesa (ou lá o que é) tem muito a aprender com a simplicidade e humildade de quem sabe *mesmo* do que fala.

    E por usar OSX (Tiger e Leopard há 10 dias), não quer dizer que não use mais 2 distribuições de Linux e até Windows XP nas minhas máquinas.

    Ainda há gente que lê um blog e pensa que se trata de informação de_facto. O complicado é ter de explicar a essas pessoas que leram um chorrilho de asneiras (não estou a referir-me a este artigo), e que na sua inocência e alguma ignorãncia nestes assuntos, devem procurar uma opinião especializada.

    Por isso talvez um conselho despretensioso: façam um disclaimer a referir que não têm formação técnica no ramo e que as suas apreciações não sejam levadas em conta na aquisição de software, sendo meramente pessoais e apaixonadas.

    Sou investigadora e professora e não tenho mesmo tempo para ter um blog, entre as viagens para UK e Lisboa tento trabalhar mais um pouco no PB 12″. O MBP é uma máquina enorme para viajar, por isso o Air já está encomendado.
    Continue apaixonada por estes produtos, com falhas, mas muito interessantes :-)

  • mac2 said,

    Cara leitora,

    As definições do início do post estão, quanto muito, incompletas. (Como quase todas as definições em menos de 5 linhas.) As fontes: New Oxford American Dictionary (aquele fornecido com os Mac) e, curiosamente, a Wikipedia (apesar de a Wikipedia não ser uma enciclopédia “tradicional” e o conteúdo nem sempre estar correcto).

    Calculo que quando fala de licensiamento (sic) se refere a “licenciamento”, não é? Bom, em momento algum eu disse que o open source era um licenciamento. Nem o open source é, de facto, definido no post, pois não é esse o tema central.

    Não sou programadora. Se ler no blogue o “Sobre…”, e seguir as ligações, verá isso. É simples, sou utilizadora de Mac e gosto. Escrevo e opino — meu direito.

    Calculo que não concorda com o post. Está no seu direito. Por mim, posso mudar de opinião daqui a uns tempos também. Por agora mantenho o que disse: gosto de shareware e não me parece que freeware seja sinónimo de melhor.

    Se há gente que lê um blogue e não sabe o que é — um local de opinião, pessoal — bom… pouco posso fazer. É aqui que deixo as minhas opiniões e nunca defendi que são universalmente únicas ou, mesmo, as mais correctas para os demais.

    Não sei o que pense do seu “conselho despretensioso”… Até porque não me parece verdadeiramente despretensioso. E também porque não a conheço; não faço a mínima ideia do que faz ou quem é. Ter visitado Cupertino não é suficiente.

    Seja como for, não concordo que as opiniões técnicas são únicas opiniões válidas na aquisição de software. São, sim, uma parte a ter em conta na equação. Aliás, duvido que os técnicos mantenham todos a mesma opinião sobre freeware e shareware.

    E para não a inquietar mais, volto a repetir, porque nunca é demais para ser bem entendida: também uso freeware, e gosto. Agora, não me convencem que o que é gratuito é necessariamente melhor. Nem mesmo o que é open source (apesar de existirem muitas vantagens neste tipo de software).

    Curiosamente também sou professora e investigadora. E espero continuar apaixonada pelos Macs e pela extraordinária comunidade de programadores que tem.

    Se sou demasiado ríspida, entenda-o como resposta a um tom de que não gostei. Todas as opiniões são bem vindas, inclusive as que não concordam comigo, mas há melhores formas (em tom e em conteúdo) que outras.

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