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Tuesday, February 9, 2010

Os audiobooks são como os livros… ou talvez não.

Posted by Mac² on 30 de Janeiro de 2010

Custa-me escrever audiolivros, audiobooks soa-me melhor. Talvez porque eu nunca tenha ouvido um audiolivro, no sentido em que apenas ouvi audiobooks em versão original e, no caso particular, em inglês. Perdoar-me-á o leitor a anglofilia.

Audiobooks? Porquê?

Há semanas em que passo muito tempo dentro do carro — cerca de 2 horas por dia. Para alguém que, como eu, não tem um imenso gosto em guiar (não menosprezando o meu simpático Honda Civic 1.8), essas 2 horas são… chatas. Por isso, como muitos, oiço rádio. O problema da rádio é que, à hora em que estou no carro, ou me viro para a música (e aí prefiro os CDs) ou para as conversas e/ou entrevistas. Infelizmente estas deixam-me com azia após o rol interminável de más notícias (sim, refiro-me, por exemplo, à TSF ou à Rádio Popular).

Essa azia levou-me aos podcasts. É assim que oiço o MacBreak Weekly, o MacJuri ou, por vezes, o Pessoal e Transmissível. Mas após 20 ou 30 podcasts uma pessoa farta-se um pouco. Passei pela audição de leituras ou peças teatrais na BBC; uma experiência interessante mas não duradoura. E eis-me nos audiobooks, que permitem uma maior variedade de estilos auditivos, quer no género (ficção e não-ficção, com todos os subgéneros), quer em formato (CD ou mp3, via iPod ou via consola do carro, etc).

A escolha: Dan Brown e Greg Iles

audiobooks

Os dois últimos audiobooks que escolhi ouvir são interessantes pela experiência comparativa que permitem. Tratam-se de dois “policiais” de autores afamados: o The Lost Symbol do Dan Brown, lido por Paul Michael (link) e o Blood Memory do Greg Iles, lido por Joyce Bean (link). O primeiro livro não me vinha recomendado positivamente, mas seguindo a velha máxima do meu avô — gostos não se discutem, lamentam-se! — tal não me impediu de o começar a ouvir (que estranho usar o verbo “ouvir” em vez de “ler” quando nos referimos a um livro). O segundo é de um autor que sempre gostei de ler e do qual recomendo quase todas as obras.

Ouvir audiobooks

Ouvir um audiobook é uma experiência diferente de ler um livro. Bem mais diferente do que eu esperava, pois existem aspectos que condicionam, e em muito, a experiência. Por exemplo, a velocidade em que a história se desenvolve não é decidida pelo leitor/ouvinte. Por mais rápidos que sejamos na leitura de livros, o desenrolar de um audiobook ultrapassa o nosso controlo. Alguém o lê, numa velocidade que não é nossa, e nós assumimos um papel muito mais passivo que aquando da nossa própria leitura. Depois, numa versão audio é-nos muito mais difícil saltar a leitura em frente e bisbilhotar algum do texto (ou mesmo o final). Neste aspecto, ouvir um audiobook oferece uma experiência semelhante à de ir ao cinema ver um filme ou ao teatro ver uma peça.

Outro aspecto muito interessante é o do lugar em que nós, receptores da mensagem, nos posicionamos face à mensagem emitida. Passo a explicar… Quando eu leio um livro não o leio em voz alta, mas dentro do cérebro existe uma voz, minha, que me conta uma história. Numa história de ficção, a determinado momento essa voz e a personagem central (ou as personagens centrais) misturam-se e o receptor (eu, neste caso) estabelece uma ligação afectiva com a personagem. Na minha perspectiva, se esta ligação não existe, o autor do livro falhou no seu objectivo. Ora, num audiobook essa voz, mais óbvia e intrusiva, não é a nossa e a tal “ligação afectiva” demora mais tempo a estabelecer-se, uma vez que entre a personagem e o receptor existe um entreposto. A qualidade desse entreposto (a voz que emite o texto) é-de extrema importância: a entoação, a utilização de tons diferenciados conforme as personagens, as pausas, os tiques… tudo isso contribui para a nossa experiência (melhor ou pior) como ouvintes.

Resultados diferentes

E eis-nos de novo nos dois livros que me propus ouvir. O mesmo esquema, mas resultados totalmente diferentes.

O livro do Dan Brown é francamente mau. A história tem uma premissa interessante, como todos os livros que li dele, mas o desenrolar é, no mínimo, irritante: o esquema básico de cada capítulo, na tentativa crescente de preparação do inevitável cliffhanger; o comportamento paternalista do personagem principal que mais parece uma mini-enciclopédia ambulante; a típica personagem feminina secundária, maçadora até dizer chega; o suposto vilão que já não traz nada de novo, sendo uma mistura-e-toca-o-mesmo dos outros vilões do Dan Brown; o mesmo tom batido e esbatido (sim, esbatido) da teoria da conspiração; os erros óbvios de quem sabe muito sobre nada e sabe um pouquinho sobre tudo.

Esta irritação é amplificada pela leitura de Paul Michael. Note-se que Paul Michael tem uma excelente voz, baixa, grave; muito clara e fácil de entender. Mas as mudanças de tons que aplica quando muda de personagem são verdadeiramente patéticas ou, se preferirem, exasperantes. Tanto que, após chegar ao vigésimo capítulo (mais ou menos), não aguentei mais e tive que parar de ouvir o audiobook.

Clicar aqui para ouvir um excerto do “The Lost Symbol”

É possível que tivesse acabado de ler o livro caso o seu formato fosse escrito, mas não consegui passar de 1/4 do audiobook. Ouvir o The Lost Symbol neste formato audio foi um fracasso e, sendo mais óbvia, diria que a experiência foi má, provavelmente muito má.

O livro de Greg Iles é melhor. Peca por ser demasiado longo e ter uma personagem principal de idade inferior (31 anos) à que deveria ter na realidade, mas a história está bem esgalhada com três linhas principais (a vida actual da personagem principal; a vida passada e traumática da personagem principal e sua família; e uma série de crimes na actualidade) que se cruzam e re-cruzam. À primeira vista, o cenário é menos cativante que o do livro de Dan Brown (trata-se de Natchez e de New Orleans, ao invés de Washington), mas a velha máxima de “escreve sobre o que sabes e não inventes demasiado” aplica-se na perfeição. Greg Iles apresenta temas negros, para alguns leitores certamente demasiado negros (o abuso sexual de crianças e os traumas que deixa, a Guerra do Vietname e o alcoolismo); contudo, conseguiu deixar-me curiosa e atenta, ao invés de enfadada ou horrorizada.

A voz de Joyce Bean é quase perfeita. Tal como a de Paul Michael é agradável e clara, com o extra de apresentar sotaque do Mississipi, que eu sempre achei de enorme charme e que fica muito bem na personagem principal. As variantes vocais utilizadas para as personagens secundárias são bem feitas e óbvias na sua distinção, usando inclusive alguma tecnologia extra para modificar o som quando a voz é supostamente ouvida ao telefone. Mas nem tudo é perfeito: o audiobook falha, sobretudo, na transição dos CDs quando é embutida uma música de fundo, como que em aviso de que o CD está a acabar ou a começar.

Clicar aqui para ouvir um excerto do “Blood Memory”

Ainda não acabei o audiobook do Greg Iles, mas deixei de o ouvir apenas no carro para o ouvir também em casa. Isto é um óbvio êxito. De certo modo, apaixonei-me pela personagem principal (curiosamente cheia de vícios e defeitos) e pela sua voz. Extraordinária é a estranha reacção que tive com o vilão. O vilão é-nos apresentado como alguém frio, calculista, e até repugnante, mas quando a interacção entre ele, a personagem principal e nós (receptores) se estabelece de facto, a metamorfose é interessantíssima. No fim, compreendemos a atracção (não sexual, note-se) que a personagem principal sente por alguém que tem uma experiência de vida e uma inteligência fora do comum e que, como tal, a pode ajudar a entender o passado e o presente. Compreendemo-la porque também a sentimos.

Prometedor é o mínimo que, por agora, posso dizer deste audiobook e tal deve-se, não só a Greg Iles, mas também a Joyce Bean, que aliás já ganhou vários prémios como leitora de audiobooks.

À laia de conclusão final

Ouvir um audiobook não é o mesmo que ler um livro. A história de base está lá, mas é certamente melhorada ou piorada pela qualidade do leitor do audiobook. De certo modo é como uma matéria escolar e o professor: o interessante pode ser uma estopada e uma estopada pode tornar-se interessante.

Uma coisa garanto, se o audiobook é bom, as 2 horas diárias de carro deixam de ser uma maçada para se tornarem curtas. :)

links for 2010-01-29

Posted by Mac² on 29 de Janeiro de 2010

A capa do The Economist

Posted by Mac² on

The Economist Jan 2010

Fonte: The Economist.

Brilhante! :)

O iBicharoco (a.k.a. iPad)

Posted by Mac² on 28 de Janeiro de 2010

Infelizmente não tenho tempo para vos deixar aqui um texto longo sobre o que penso do iPad. Tenho pena porque cada vez me convenço mais que, mesmo com óbvios defeitos, o iPad vai ser uma (boa) bomba. Contudo, apesar de não ter tempo para grande conversa, posso deixar algumas palavrinhas. :)

ipad

Antes de mais, podem ouvir o que eu tinha ontem para dizer sobre o iPad no último TriploExpresso (i.e. sentada à mesa de café, como de habitual, com o David e com o Phil).

Depois, digo-vos ainda que existem 3 opiniões a não perder escritas. Aconselho-as pelo registo da experiência — pelo menos dois deles (senão os três) já brincaram com o “iBicharoco” (muito melhor que *iPad*, convenhamos) — mas também porque sigo regularmente estes três bloguistas/jornalistas que, até agora, nunca me desiludiram nas suas avaliações.

David Pogue:

Today Apple finally unveiled its tablet computer, the iPad. Thus concludes Phase 1 of the standard Apple new-category roll-out: months of feverish speculation and hype online, without any official indication by Apple that the product even exists.

Now Phase 2 can begin: the bashing by the bloggers who’ve never even tried it: “No physical keyboard!” “No removable battery!” “Way too expensive!” “Doesn’t multitask!” “No memory-card slot!”

That will last until the iPad actually goes on sale in April. Then, if history is any guide, Phase 3 will begin: positive reviews, people lining up to buy the thing, and the mysterious disappearance of the basher-bloggers.

(…)

John Gruber:

(…) there’s the fact that the iPad is using a new CPU designed and made by Apple itself: the Apple A4. This is a huge deal. I got about 20 blessed minutes of time using the iPad demo units Apple had at the event today, and if I had to sum up the device with one word, that word would be “fast”.

It is fast, fast, fast. (…)

Stephen Fry:

(….) The moment you experience it in your hands you know this is class. This is a different order of experience. The speed, the responsiveness, the smooth glide of it, the richness and detail of the display, the heft in your hand, the rightness of the actions and gestures that you employ, untutored and instinctively, it’s not just a scaled up iPhone or a scaled-down multitouch enhanced laptop – it is a whole new kind of device. And it will change so much. (…)

Resumindo e concluindo: apesar de reservar a minha opinião final para quando usar, de facto, um iBicharoco (espero que daqui a 2-3 meses), confesso que estou ansiosa por o fazer.

My Digital Life Workflow

Posted by Mac² on 21 de Janeiro de 2010

This is a flow chart of my digital workflow on my Macbook Pro. Basically it allows me to keep files organized and an uncluttered desktop (both essential to my sanity).

Everything revolves around three main folders (the orange squares in the chart) named: Work Zone, ToDo Zone and Out Zone. These can be accessed via Dock (see second image below) and are regularly checked or re-organized according to the workflow. All the other folders within my computer are out of sight; they serve as permanent storing units for future use, but with no immediate usage.

Digital Life Workflow

Click on picture to see bigger size.

The Work Zone is easy to understand: all the files or folders that are being used now (i.e. this week).

The ToDo Zone has stuff to be reviewed as soon as I have the time. (Hint: most of the downloaded files get here, to be organized later. Another Hint: I use Hazel to keep this place organized by file type.)

The Out Zone folder is where I place all files or folders that are going to be exported and stored out of the computer, either to an external HD, a DVD or online.

Folders in Dock

The mail folders in my Dock. Workflow icons by Kate England @ Marmalade Moon.

I’ve been using this workflow for more than a year now and I’m quite happy with it. (Also see here.) Some friends asked me to do a flow chart of it and here it is! Maybe it can tickle you to organize your digital stuff. (Or share with us the process you are already using.) :)

Aplicações aconselhadas

Posted by Mac² on

Das novas aplicações que andei a testar recentemente aconselho:

Droplr: uma forma muito eficiente de mandar links, imagens, ficheiro e notas para o Twitter. Adware*.

Cinch: permite, com o rato, redimensionar as janelas das aplicações (divisão vertical do ecrã e maximizar janela). Algo que, segundo me consta, existe no Windows 7 (Aero Split) com funcionalidades mais básicas e que fazia falta no Mac. Shareware: 7$. (O programador têm uma outra aplicação gratuita, chamada TwoUp, também muito interessante.)

Cinch

Notational Velocity: um velhíssimo bloco de notas digital que parece ter renascido das cinzas. Proximamente vai sincronizar com uma das minhas aplicações preferidas no iPod Touch, o Simplenote (que recentemente passou a ter versão Adware*). Freeware.

(*) Adware = gratuito com suporte publicitário. Tipo o que se passa com o Tweetie.

Não há Twitter

Posted by Mac² on 20 de Janeiro de 2010

Há algum tempo que não via o Twitter ir a baixo durante tanto tempo. Já lá vão perto de 2 horas.

Twitter in Over capacity

Nota: acabou de acordar!